Psicoloucos

Espaço dedicado à obtenção do mais insígne conhecimento por parte da mais ignorante geração de "Homo sapiens" jamais vista. Seus fundadores atendem por codinomes herdados de pensadores totalmente excelentes e se dedicam a desvendar os mistérios da mente humana em salas fétidas e desprovidas de um teor hermeto-epistemológico adequado - daí as palavras chulas que frequentemente são utilizadas em suas empreitadas intelectuais aqui descritas.

sexta-feira, setembro 30, 2005

A Construção do Eu, uma visão sintética.

Saudosos leitores, um salve! É com um sentimento nostálgico que escrevo essas palavras, pois faz tempo que não contribuo para o desenvolvimento da nossa comunidade científica. Enfim, sem mais delongas, desejo mostrar aos leitores que essa teoria fora feita, metodologicamente falando, de maneira diferente. Utilizar-me-ei aqui da física a priori de Kant, baseado no juízo sintético. Ora, de maneira simplória, o juízo sintético é a habilidade racional de se tirar uma conclusão de dois juízos iniciais, sem necessidade da experiência. Por instância, 7+5 = 12. Nessa afirmação temos o número sete somado ao número cinco, entretanto, se juntarmos eles, não se obtém doze. O conceito de doze deve ser criado pra suprir essa necessidade de se achar uma síntese que satisfaça à razão. Pode-se dizer que toda a matemática é um juízo sintético. Essa capacidade sintética, que está pra além da realidade empírica, é a mesa na qual me debruçarei para o prosseguimento dessa teoria.
Pretendo aqui utilizar o pensamento de dois Monistas: Heráclito de Éfeso e Parmênides, e a partir desses dois chegar a uma síntese comum, ou seja, um doze, utilizando-me da alegoria inicial.
Como já é de conhecimento dos leitores, utilizo-me muito da Bíblia. Seja de maneira alegórica, seja de maneira literal. Nessa teoria, provarei, mesmo que através de argumentos humanos, a constituição de um caráter através do conhecimento de Deus. A frase axiomática proferida por Deus que utilizarei é essa: “Diga ao povo, que antes que Abraão fosse, EU SOU!”
Heráclito tinha uma visão de constante movimento em tudo que existe. Logo o ser, já não o é mais, pois o será entrou em cena, e o era vira uma realidade. O contínuo metabolismo do presente-futuro gerava uma incerteza em sua mente. Encontrar-se seria algo impossível visto que daqui um instante, ele já não o é mais. Daí sua máxima: “O caráter é o destino”.
De fato, o sistema provém de um constante movimento circular.
Parmênides, o anti-Heráclito, dizia que tudo está estagnado. O “é” de fato existia. Ou é ou não é, eis a questão. Sua estagnação veio pelo fato de o pressuposto “não é” ser uma floresta impenetrável, limitando-se à esfera do “é”.
Agora farei com que os opostos entre si entrem em contato, se fundam, e formem um equilíbrio. Ora, o individuo que encontrou essa síntese, fora um hebreu. Nosso querido pessimista e rabugento Salomão. Ora, tomarei licença de sua identidade, visto que falamos disso, entrarei em sua mente e falarei conforme vejo que ele responderia aos gregos. Segue:
“Parem com isso, meus caros helenistas. O conhecimento é enfado e vaidade. Eu vivi essa realidade, mas se fazem tanta questão... Antes que Abraão fosse, EU SOU. De fato, nada há de novo debaixo do sol, aquilo que se fez ontem, hoje se torna a fazer. Há um circuito, um constante movimento, porém o conteúdo é o mesmo, pois tudo é vaidade, daí a estagnação. Antes que o homem tentasse ser, Ele é. Existe uma atemporalidade na essência de Deus. Ele é além do fluxo. Deus joga birosca com as esferas do ser, foi e será. Por isso, eu, Salomão, não existo porque penso, e sim penso porque Ele existe.
No fluxo do foi-será, Deus pára na contra-mão e diz: “EU SOU”. Daí a conversão.
O homem sai do fluxo da estagnação quando acorda e percebe que a rodovia tem mão dupla.
Meus caros filósofos, vocês não acharam quem vocês são porque EU SOU. O ser encontra-se Nele. O foi encontra-se Nele. O será encontra-se Nele. Porque Ele é!! Ninguém acha a razão de viver, a razão de si mesmo, enfim a razão, se não for ao Criador da mesma. A razão de vocês é uma ilusão. Deus, de fato, é a razão. Logo, ninguém vem à Razão se não por EU SOU. Por isso que eu falo, tudo é vaidade amigos.... “
É visível que fugi aqui dos axiomas científicos no que tange a fatos observáveis, contudo sei que aquele que se prende ao pobre método positivista, fadado está a ser mero observador. Mostro aqui algo que está para além da física newtoniana, que mesmo sendo perfeita com seus axiomas bem definidos, nesse âmbito, fica obsoleta. É fato que isso também num é mera especulação filosófica, pois aquele que se atreveu a se aventurar pelos caminhos racionais, que está pra além de meros princípios de contradição, sabe do que falo.
A formação do caráter pede um padrão a ser comparado. Ora, para eu saber que sou diferente e único, eu devo ter um Outro, e a partir desse Outro, ver o mundo e suas diferenças. Eu + Outro = Universo. Obviamente, tudo aquilo que não sou eu, é Outro, então, se somo os dois, consigo o todo. Assim como Kierkegaard, coloco aqui que o Outro é Deus, sendo esse onipresente. Visto que em tudo se tem a presença Dele, o padrão de comparação em tudo que vejo é Ele, logo, a formação de caráter é em função Dele.
Termino aqui minha argumentação, visto que agradei ocidentais pós-modernos com a argumentação primária, e agradei a gregos na argumentação lógica (Logos) no último parágrafo. Mas como diria o ditado: “Não se pode agradar grego e troianos...”

Referências Bibliográficas:

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Salomão. Birigui: Falácias, 30 de fevereiro.
A Bíblia
Boa dose de ociosidade e uma aula de Epistemologia.

sexta-feira, setembro 09, 2005

O impacto psicológico da axé music

Uma indivíduo com o mínimo de conhecimento histórico sabe que a música sempre exerceu um papel insígne no desenvolvimento da humanidade. O que seria dos israelitas se os sons que Davi produzia em sua harpa não aplacassem a ira do rei Saul? Ou ainda, o que restaria das obras de Nietzsche se não fossem os empolgantes concertos de Wagner que, ainda que pouco, diminuíam o seu inconfundível mau-humor? Provavelmente, absorto em sua raiva contra a moral, o nobre filósofo não conseguiria desenvolver um raciocínio assaz sistemático como o que se encontra em sua autobiografia. Resta-nos ainda o caso do filósofo e epistemólogo Didi que, em seus momentos de saudade da terra natal Ceará, bota para tocar em sua vitrola setentista vinis exclusivos do também pensador Tiririca e, assim, pode continuar sua empreitada de busca das verdades fundamentais no programa de TV dominical que leva seu nome. Estes são só alguns dos incontáveis exemplos de como o destino do Homo sapiens enquanto ser psico-sócio-físico-bio-químico-hermeto-epistemológico seria completamente diferente sem a existência da música. Feita tal consideração, passo a minhas proposições a respeito de um determinado barulho que vem sendo, ao longo deste século, encaixado na categoria de música. Ei-las:

Durante minhas andanças metafísicas por esse Brasil de meu Deus, pude perceber o gigantesco sucesso entre as massas de um ritmo “musical” criado originalmente na Bahia e autodenominado axé music. Por onde quer que meu ego passasse, não havia um só botequim que não dispusesse de um aparelho de som por onde se escutava refrões do tipo “Passa talquinho no seu corpo cheirosinho”. Outro fato constatado a partir dessa observação foi o tipo de pessoas que se dignavam a ouvir tal melodia, em sua maioria jovens suburbanos. A partir de tais constatações empreendi uma fatigante investigação no âmbito sócio-cultural sobre as implicações da axé music na mente e no comportamento das pessoas submetidas a esse estímulo musical e cheguei a conclusões estarrecedoras.

Uma das minhas primeiras preocupações foi quanto à vestimenta. “Que tipos de mudanças indumentárias provocaria a audição de axé music?”, esse foi meu primeiro problema de pesquisa. Observando num espaço de tempo de dois meses pude perceber que jovens que, antes de escutarem axé, se vestiam basicamente com calças jeans rasgadas e camisetas pretas (visual que as mães detestavam), passaram a se vestir, os rapazes, com uma espécie de corsário jeans, um tanto cafona para os padrões atuais de beleza (mas que as mães adoraram), um tipo de regata a que eles dão o nome de abadá que ressalta seus recém-adquiridos músculos e um par de tênis pirateado de uma marca famosa (que as mães também adoraram pois custava mais barato). As meninas passaram a vestir calças de malha geralmente usadas em academias e que, por causa da aderência do tecido, ressaltavam suas nádegas bastante trabalhadas nas danças do axé. Na parte de cima, elas também aderiram ao abada (um tanto menor) que, desta vez não ressaltava os músculos do braço, mas dava destaque ao umbigo que há pouco tempo havia sido perfurado por um piercing. Nos pés, as garotas trocaram os saltos e sandálias por tênis que, como os dos garotos, eram falsificados de marcas famosas. Bem se vê que as mudanças provocadas na vestimenta foram um tanto maléficas não só para as marcas famosas de tênis mas também para os olhos de todo o resto dos seres vivos deste planeta que passaram a conviver com garotos trajando corsários assaz desproporcionais e garotas calçando tênis falsificados.

Outro ponto que me deixou um tanto chocado com tal fenômeno foram as mudanças nos comportamentos afetivo-sexuais dos indivíduos submetidos à minha experiência. Estes indivíduos foram sutilmente implantados na festa-mor dos ouvintes de axé, a chamada micareta, uma mobilização um tanto grandiosa que fez surgir em meu inconsciente coletivo as lembranças dos tempos do Nazismo na Alemanha do século passado, em que Adolf Hitler convocava as massas às ruas para passar sua ideologia. A analogia se faz interessante. Ao passo que na Alemanha, o povo bradava algo como “Hei, Hitler!”, nas micaretas ouve-se coisas como “Le-le-le-le-le-le-le-le-le-le, le-le-le-le-le-le-le-le-le, le-le-le-le-le-le-le-le!” (espero não ter esquecido nenhum ‘le’), entoadas inicialmente por um indivíduo em trajes característicos que, concomitantemente, dedilha absurdamente desafinado uma guitarra. Ao serem perguntados sobre quem era aquele ser, os, assim chamados micareteiros, só conseguiram pronunciar “Chiclete”, o que, mais tarde, vim a saber tratar-se de uma abreviação de Chiclete com Banana, um dos grupos responsáveis por aquele culto ao deus Axé. Mas, voltando ao nosso experimento, observei que cerca de dez a quinze minutos depois de penetrarem na micareta, os jovens do experimento que, até então, só haviam tido relacionamentos com pessoas conhecidas suas, passaram a beijar instintivamente a primeira pessoa que aparecia à sua frente ainda que esta se encontrasse abominavelmente suada e com gosto de cerveja na boca. Dois dos jovens envolvidos no experimento e que, há dois anos namoravam, pareciam ignorar o vínculo afetivo que os unia, em parte porque a garota fora fortemente puxada pelo braço por um típico micareteiro solteiro que, a beijou à força, ao que ela correspondeu. O espetáculo que se via era digno dos áureos tempos de Woodstock. A diferença era que quem dedilhava a guitarra na esbórnia roqueira era Jimi Hendrix e não o tal Chiclete... Pois bem, percebe-se claramente o poder que a axé music possui no que diz respeito à sobreposição do id sobre o superego. Os comportamentos observados nas jovens cobaias foi parecido com o dos chamados bonobos, primatas que passam o dia fazendo sexo entre si, sem distinção advinda de vínculo afetivo.

Pois bem, até o momento limitei-me a explicitar as conseqüências da submissão à axé music e aos seus derivados comportamentais. Detenho-me agora à hipótese que formulei a respeito do porquê da existência da axé music tal como fizera o eminente trovador Sidney Magal em A Origem da Lambada, obra em que atribui à sincronicidade a existência do ritmo que teve seu auge no final dos anos 80. Diante das constatações acima relatadas, a única hipótese que me pareceu plausível foi a de que o axé faz parte de um projeto político-econômico, o que ressalta ainda mais suas semelhanças com o nazi-fascismo. Foi na observação minuciosa dos elementos componentes das canções axé que pude comprovar a veracidade de minha hipótese. Verifiquei, com a ajuda de músicos do quilate de Roger, vocalista do Ultraje a Rigor e MC Serginho que praticamente todas as músicas de axé possuíam uma mesma levada, uma mesma métrica que em muito se assemelhavam às inesquecíveis canções de ninar do porte de “Nana Nenê”. Essas canções, como pode-se perceber até mesmo pelo senso comum são absolutamente absorvidas pelo cérebro, criando neste uma cadeia denominada por mim de Complexo Tic-Tac, um fenômeno assaz interessante que faz com que com apenas uma audição de um determinado som fixemos perpetuamente este na memória. Assim, se por meio de um tratamento, não desfizermos o Complexo de Tic-Tac todas as nossas ações sofrerão a influência dele - isso explica a vestimenta padrão dos apreciadores de axé (relatada no terceiro parágrafo). Mas a influência do Complexo de Tic-Tac se faz ainda maior quando um grupo considerável de indivíduos praticantes da filosofia axé se reúnem. De alguma forma o complexo reconhece por meio dos processos psicológicos a presença dos outros indivíduos. Diante disso, ele diminui consideravelmente a interferência do superego no ego da pessoa em que está instalado. Esse fenômeno explica as mudanças no comportamento das cobaias humanas na micareta. Assim, fazendo uma analogia com os áureos tempos de Hitler na Alemanha, pude concluir tratar-se a axé music de um projeto político-econômico – Hitler utilizava seus discursos para promover a alienação dos germânicos tal como faz a axé music com suas canções.

Diante de tudo isso, pergunto-vos, caros leitores: existe saída para tal situação alienadora e que compromete até mesmo a estabilidade política das nações (a axé music vem se espalhando consideravelmente, principalmente nos países andinos)? Sim, existe. Mas seria uma utopia digna de Émile Durkheim pensar que a sociedade, por si só, poderia eliminar essa chaga. Os níveis de alienação provocados pela axé music são dezenas de vezes mais elevados que os níveis do nazismo. Neste sentido, proponho duas soluções: uma é a proibição por completo da execução de axé music. Entretanto, a dificuldade estaria em identificar de forma concreta o que é axé, já que não raras vezes esse nefasto ritmo vem travestido em letras de rock e reggae. A outra solução seria a possibilidade de uma intervenção divina. Deus, em sua clemência veria o estado lamentável em que se encontram os seres, estado este, que faz as pessoas migrarem dos templos para as micaretas e eliminaria por completo a axé music das mentes humanas. Mas esta também é uma solução utópica na medida em que o axé possa ser uma das inúmeras provações que permeiam todo o desenvolvimento histórico da humanidade como as grandes guerras e as pestes nas quais Javé não interferiu. Enfim, só nos resta esperar.

Referências bibliográficas:

MUFUNGO, Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgina. A Filosofia Cabeça-Chata Hoje no Brasil. 24. ed. Birigui: Falácias, 1980. 413 p.

NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo: de como a gente se torna o que a gente é. Porto Alegre: L&PM, 2003. 192 p.

BÍBLIA Sagrada. São Paulo: Paulus, 2000.
MAGAL, Sidney. A Origem da Lambada. 4. ed. Birigui: Falácias, 1995. 358 p.

quinta-feira, junho 23, 2005

O dia em que sonhei a Neverland

Saudosos leitores é um inefável prazer escrever-lhes mais uma vez. Visto que como padrão, conta-se a priori a história de como a teoria surgiu, far-na-ei com prazer. Ei-la: Estava eu assistindo ao saudoso time canarinho gradeando em terras germânicas contra os nipônicos, comendo uma saborosa pipoca queimada, adicionada a um passatempo recheado, com uma coca-cola para molhar o bico. O resultado? Incontinência intestinal, per claro! Senti uma pulsão enérgica de tornar-me monarca, quem lê, entenda. Ao reinar, pensava acerca de nossos saudosos companheiros. Falo do francês Èmile Durkheim, do alemão Friedrich Nietzsche e do também alemão, Karl Marx. Houve em mim um acesso “baiano”, e lembrei-me, oniricamente, da terra de Peter Pan, onde tudo era um sonho.
Meus caros, isso dá um balacobaco assaz lúdico! Imaginem comigo o que poderia acontecer com esse três indivíduos em questão em um mesmo espaço geográfico. Não “Durk”, não quero afirmar que isso seria uma sociedade.
Ao deparar com essa incógnita lúgubre, cogitei acerca da mesma com o saudoso Titchener. Com seu teor ermeto-epistemológico clássico, lembrou-me de como seria se estivessem praticando alguma espécie de jogo infanto, visto que estavam em um ambiente similar ao qual habitava Bob. Sim, aquele sonhador que você assistia antes de ir à escola. Por diante, lembrei-me do famoso Polícia-Ladrão, jogo com estatuto político-administrativo digno de análise.
Viajei, de fato. Eis que vi os três passeando nos jardins da Neverland, onde Nietzsche destruía, digo, tresvalorava, todo tipo de flora que estimulasse seu coração a bater. Durkheim estava prestes a ter uma úlcera de raiva, ao ver toda aquela desorganização e anomia criada pelo alemão. Seu comportamento obsessivo, oscilado à neurose, levava-o a arrancar seus cabelos e roer as suas unhas. Em meio a todo esse quadro, Marx imaginava e sonhava no dia em que as flores, unidas e conscientes, pudessem, através da dialética social, evoluir sua classe, e sair das mãos do tenaz Nietzsche. Certa feita, Peter Pan aparecera, e sugeriu que os três brincassem juntos. Durkheim aceitou, pois cria na possibilidade espontânea da sociedade de se auto-organizar. Nietzsche porque estava de bom humor no dia. Marx porque estava de saco cheio do PT. Foi os três brincarem de Polícia-Ladrão.
É digno de nota que havia um indivíduo assistindo tudo. Tal ser possui uma espécie de amor especial pelas crianças. Sim, ele, Michael Jackson, supervisionava os três enquanto brincavam. Entretanto, ele só fazia isso, conforme fora dito o veredicto norte-americano. Insistimos em deixá-lo apenas como tal, sem enquadrá-lo no caso, por questões éticas.
Marx fora eleito o policial, Nietzsche o ladrão e Durkheim o juiz. Começando a palhaçada, Nietzsche, sendo o ladrão, visava roubar todos os valores morais da sociedade, destruí-los, tresvalorá-los. Marx vinha com pau e pedra, pois sabia que era através da pancada que chegaria ao comunismo, visto que sua teoria da emancipação é um tanto quanto utópica. Durkheim ia à loucura com toda a anomia generalizada. Marx acertou uma pedrada no occipital de Nietzsche, levando-o à loucura. Durkheim, ironicamente, prende o policial Marx, pois todo crime merece uma coerção social. Quando o francês começava à ode ao seu triunfo, eis que surge um quinto elemento. Vindo com um violão em mãos, um óculos escuro ridículo, um cabelo mal lavado e penteado a la...digo, despenteado. Em meio a fumaças de aroma um tanto quanto colombianas, canta: “Imagine all the people, living life in peace, uh uh uuuuh uh!” Durkheim cai em prantos. Nietzsche começa a bater palma, alegre e sorridente dizendo: “Eis Dionísio! Eis Dionísio!” Marx fica deslumbrado com o visú de Lennon, e cai em si. Lennon também ficara fã do cabelo-barba de Marx. Saem todos abraçados e felizes...
...Quando sentem um estalo na altura do pescoço de cada um e um grito: “Pedalem Robinhos, tá na hora de acordar e ir para escola, cambada de a toa!!” Tal frase fora vociferada por uma senhora assaz nutrida, de rosto rosado e roliço que adotara as três crianças.
Tinham todos sete anos de idade na época.

Referências Bibliográficas:
Orfanato Paris de Là Echantè.
Pipocas Yoki, biscoitos passatempo e 2 litros de Coca-Cola.
COELHO, Paulo. Diálogos da Neverland. Birigui: Falácias, 30 de Fevereiro, 2008.
Ecce Homo, O Capital e O suicídio. De Nietzsche, Marx e Durkheim, respectivamente. s/d (Preguiça)

sexta-feira, junho 17, 2005

O oitavo pecado capital

Durante séculos, a Santa Madre Igreja (que aqui não se encontra vítima de ironia) fez supor a existência de apenas sete pecados capitais – outrora chamados vícios capitais. Eis que apresento-vos o oitavo e último item de tal rol: o pecado da Riqueza. Entretanto, antes de fazer uma explanação a respeito do porquê da inclusão de tal aspecto à milenar lista católica, é preciso que se fale de antecessores meus na tentativa de incluir um novo pecado à já citada relação.

Um dos pioneiros em tal empreitada foi o magnânimo doutor Antônio Roberto. Em suas “Lamentações de um Psicólogo Frustrado”, o ilustre pensador faz menção à existência de um vício fundamento e destino de todos outros. Trata-se da Burrice, que Roberto define como a impossibilidade momentânea ou crônica dos indivíduos de atingirem seus objetivos (ROBERTO, 2001, p. 172). O eminente filósofo concebe o homem como o ser perfeito que só perde essa condição quando sua mentalidade torna-se semelhante à de alguns eqüinos, caracterizando a Burrice.

Outro importante filósofo que merece destaque na discussão a respeito da inclusão ou não de um novo vício ao rol da Igreja é Paulo Coelho, ao qual o mui estimado companheiro Ebbinghaus atribuiu o epíteto de “o Gandalf brasileiro”. O grandioso roedor em sua obra “Diálogos em Neverland”, na qual discute com os também grandiosos Friedrich Nietzsche e Émile Durkheim o futuro da humanidade, propõe a substituição da Preguiça - o sétimo pecado, que ele considera uma virtude pois, em sua visão, é a Preguiça que faz com que os homens pensem em sua existência – pela Descrença. Coelho vê a causa de todos os problemas humanos no não-acreditar na existência dos seres que, segundo ele, movem toda a história. Falo dos duendes de barrete azul – não dos vermelhos, que o sublime pensador diz se tratar de anões disfarçados -, das bruxas, do Bicho-papão – o verdadeiro – e das outras 763 entidades mencionadas nas obras “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter” (COELHO, 1983, p. 54).

Após mencionar essas duas belíssimas contribuições à presente discussão, passo à minha proposição própria.

É de total conhecimento de toda humanidade as teorias de Jesus Cristo, o Nazareno, a respeito da partilha igualitária de todos os bens entre os seres humanos – postulado, aliás plagiado por Karl Marx no século XVIII. Diante de tal proposição, é correto afirmar que qualquer conduta humana que se desvie desse objetivo converte-se numa falta grave e numa desobediência mortal a Deus visto que, deste modo, não se cumpre uma ordem de seu rebento. Senhores, não é a Riqueza a própria materialização de tal negligência? Pois a situação do rico é a mesma de um irmão que recolhe sete maçãs de um cesto onde há dez. Conseqüentemente, os outros irmãos só disporão de três maçãs no cesto, ficando, deste modo, prejudicados. Tal exemplo parece demasiado óbvio. No entanto, o que acontece na realidade é ainda pior, visto que os prejudicados são em grande número.

Ora, é axiomática a dedução de que a existência dos ricos só é possível pela simultânea existência dos pobres, senão a humanidade se comporia de pessoas com a mesma quantidade de bens. Senhores, a realidade tem uma determinada quantidade de bens, sejam eles espirituais ou materiais, que, em condições normais encontrar-se-iam divididos igualitariamente. Neste sentido, não é errônea a conclusão de que a riqueza se converte num vício perigosíssimo que é a causa da existência da pobreza.

Portanto, não existindo riqueza sem pobreza e, sendo a primeira a causa da segunda, fica expressa por meio deste a súplica à Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, para que revise o tradicional rol dos vícios capitais e inclua como item oitavo a Riqueza.

Referências bibliográficas:



ROBERTO, Antônio Malaquias. Confissões de um psicólogo frustrado. 3. ed. Birigui: Falácias, 2001. 325 p.

COELHO, Paulo. Diálogos em Neverland. Birigui: Falácias, 1983. 277 p.

BÍBLIA Sagrada. São Paulo: Paulus, 2000.

sábado, maio 07, 2005

Ensaio Concernindo a Essência da Natureza Baiana

Heil louváveis leitores! Saúdo-vos com o turbilhão do íntimo de meu espírito, pensamentos, que como um Posseidon em fúria, estremece a embarcação do meu viver. Estava eu, Ebbinghaus, banhando-me, quando a bainha de loucura, uma espécie de pericárdio do meu cérebro, lembrou-me da Bahia. No mesmo instante, uma sonolência e uma vontade inefável de comer acarajé apossou-se de minha libido, quase me levando a uma fratura no occipital, em choque eminente com o box. Em estado onírico, gritei em minha caixa craniana: “Eureka! Hei de escrever algo acerca do pensamento!” Diferente da primeira, essa teoria é de cunho social, em que fora utilizada a metodologia de pesquisa de campo, onde será evidenciado que o sujeito não pensa.

Depois de explicitar-vos como surgiu o pensamento, mostrar-vos-ei o que se sucedia em minha mente. Lembro-me das aulas de filosofia (aê tio Márcio!!) onde falava-se de Descartes, em que ele dizia “Cogito ergo sun” (Penso, logo existo). Ao ser pronunciado tal sentença, “cogitei”: “Será mesmo que a existência do indivíduo é, de fato, diretamente ligada com seu poderio sobre sua atividade cefálica?” Meu teor ermeto-epistemológico de filosofia era insípido e infanto-juvenil para questionar tal personalidade como René Descartes. Contudo, certa feita, li um grande amigo meu, de Wundt e de Titchner, o alemão Friedrich Nietzsche, onde ele explicitava sua discordância com a afirmação de René. Para tal, utilizou-se de um jogo de palavras em alemão. Como eu sei alemão como uma joaninha sabe Física Quântica, eu fui destrinchá-lo no português mesmo.

Algo eu percebi no decorrer dos anos meus caros, as idéias vêm sem serem requisitadas por seus donos. São certos acessos de verdade, que como luzes derrubam o indivíduo do seu cavalo, vide Paulo, o Apóstolo. O próprio Descartes tinha suas melhores idéias após acordar, Newton gritou Eureka num banho, Einstein vociferou na rua em função de sua descoberta, Darwin conversou consigo mesmo ao ver que duas tartarugas possuíam corpo diferente por morarem em locais diferentes. Eu poderia ficar horas aqui só em exemplos, mas raciocine comigo, caro leitor, quantas vezes você não tem um idéia, que surge de ímpeto, e você logo exclama: “Arriégua, como não tinha sacado isso antes?!”. Nosso amigo Freud explica tal fato na sua Teoria do Inconsciente, que vai contra a Teoria da Consciência de Descartes. Entretanto, vou além.

As idéias dos grandes pensadores vieram de ímpeto, o diferencial que os fazem grandes, é a persistência, lapidação, paciência de Jó e ociosidade extrema. É digno de risada, ver algum desses homens sendo idolatrados, postos em totens de glória e altares de estultícia. Em nada nos diferenciamos deles. Sendo um pouco reducionista, todos nós temos a mesma essência. Já dizia Deus: “Do pó viestes, para o pó voltarás.”. A nossa formação é a mesma deles, somos apenas moléculas intrínsecas, trabalhando de maneira cooperativa. Tais moléculas “lançam” a idéia ao indivíduo, que possui o trabalho de apenas desenvolvê-la. Se do pó viemos, e se toda molécula vem do pó, então toda idéia é divina. Vemos então que todos os seres são iguais, o que os diferencia é o fato de possuírem um teor de espírito baiano. O baiano é um ser cabra-da-peste, que prefere deitar e tomar água de coco, a trabalhar ou pensar. Contudo, Albert Einstein é o mesmo que Xandinho, visto que a única diferença é a persistência que este possui. A Teoria da Relatividade é baiana, só não fora desenvolvida e posta no papel!

Ora, a vontade de colocar tudo no papel, e sistematizar as idéias é algo essencialmente cartesiano, carregado do espírito Europeu, porém somos brasileiros, e brasileiro não desiste nunca! Deixemos de lado o europismo, e sejamos mais baianos. O baiano tudo sabe, apenas tem preguiça de desenvolver seu pensamento e sistematizá-lo. Um baiano diz: “Só sei que tudo sei, porém tô com preguiça de provar que, de fato, tudo sei”, logo, durmamos mais e pensemos menos! O baiano é um gênio em potencial, só tem preguiça de pensar. Tal fato acontece, genericamente falando, com as loiras, porém retenho-me aqui, que esse assunto já está saturado.

Despeço-me de vós, com uma distorção da frase de René, esperando, de bom grado, que parem de pensar e comecem a serem pensados.

“Existo, porque sou pensado!”
Psicoloucos

Referências bibliográficas:
Biografia dos indivíduos citados
NIETZSCHE, Friedrich. Aurora. Birigui: Falácias, 31 de Abril de 1902.
PIRES, Alexandre. A essência da sonolência baiana. Birigui: Falácias, 1 de Abril de 1999
PERES, Carla. Purquê eu penso mais que todo mundo, e purquê eu sou a mais sabichona que qualquer loira do universo Terra. Birigui: Falácias, 22 de Março de 2000.

quinta-feira, maio 05, 2005

O instinto jozelítico

Uma das maiores inquietações que afligem o espírito humano desde o casamento de Caim com uma de suas irmãs na Antiguidade se refere ao propósito que uma ação tem para ser executada. Em outras palavras, ao longo de toda a história da humanidade, sempre pairou uma dúvida em torno da intencionalidade de um ato qualquer. Por exemplo, um patrão que oferece a seus funcionários aulas de ioga antes do expediente pretende com isso ajudar a seus subordinados proporcionando a eles uma atividade que melhore sua qualidade de vida ou teria ele uma visão calculista e desprovida de qualquer envergadura moral que objetivaria unicamente um aumento no faturamento da empresa, já que um funcionário menos tenso teoricamente produziria mais?

Com base nessa questão, pude eu, em conjunto com Friedrich Wilhelm Ebbinghaus e Wilhelm Wundt, fiéis colaboradores de minha obra, chegar à descoberta de um novo aspecto do comportamento humano intrínseco à personalidade de alguns seres e que fora completamente ignorada por Sigmund Freud na construção de suas teorias. Por convenção, resolvemos classificar esse novo aspecto como um dos vários instintos da humanidade. Essa classificação não é a mesma adotada pelo finado Freud, já que o instinto que descobrimos não se encontra em todos os humanos. De posse desse novo conceito, buscamos uma denominação que se adequasse a esse instinto e, não poderíamos encontrar melhor que jozelítico, termo provindo de Jozelito, do qual trato a seguir.

Jozelito foi uma criança bastante sofrida. Não eram raros os dias em que levava surra do pai sem merecer. Assim, Jozelito tornou-se um garoto introvertido, cujo único divertimento era a leitura de livros nazistas e a correspondência via cartas com grupos skinheads norte-americanos. Mas a fase introspectiva do menino Jozelito só duraria sua infância. Quando o garoto percebeu que era bem maior que o restante de seus colegas da segunda série de seu colégio (situação causada por seis reprovações de Jozelito), o menino iniciou sua obra, caracterizada pela maldade nau e crua disfarçada por brincadeiras inocentes. Nessa época não era incomum crianças morrerem asfixiadas por sacolas de supermercado, garotas tendo que raspar a cabeça porque seus cabelos encontravam-se cheios de chiclete e garotos com infecção no rosto logo após tomarem um banho de privada.

Deste modo, Jozelito ficou conhecido como “sem-noção” e tornou-se objeto de estudo de renomados psicólogos tais como Antônio Roberto, que hoje se dedica a dar consultas na TV. Atualmente, após dois anos morando embaixo de viadutos, Jozelito finalmente consegui arranjar um emprego. Ele trabalha interpretando a si mesmo no programa “Hermes e Renato” da MTV e, dizem, tornou-se um cidadão pacífico, mas o seu legado de sem-noção perdura até hoje em programas de TV como “Pânico na TV” e em animações de Internet como “Avaiana de Pau”.

Dito isto, defino o instinto jozelítico como a capacidade que alguns seres possuem de tirar o máximo de proveito próprio de uma situação sob a desculpa de estar exercendo um gesto de bondade. As pessoas que possuem o instinto jozelítico são, em geral, bastante comunicativas e possuem um poder de persuasão incrível. Tanto é assim, que conseguem mobilizar multidões para garantir maior lucro. Sim, lucro, porque 90% dos jozelíticos são empresários.

Poderíamos muito bem ter usado o termo maquiavélico para definir esse instinto recém-descoberto. No entanto, ele não denotaria com tamanha profundidade a natureza do ser que possui essa tendência. Jozelito foi um ícone do cinismo e da maldade disfarçada e, portanto, merece a homenagem.

Agradecimentos de teor hermeto-epistemológico a:

MTV Music Television
Hermes e Renato
Família de Jozelito

segunda-feira, maio 02, 2005

Princípio da Flutuação Espontânea no Movimento Circular Uniforme

Meus caros, venho apresentar-vos algo que até hoje fascina minha alma de maneiraestrondosa. É mister dizer antes de tudo que, apesar de ser um espaço de cunho científico, voltado à realidade social, me senti conclamado pelos gritos parturientes da mãe natureza, no que diz respeito à um homicídio trajado em fórmulas. Falo-vos da falácia conclamada pelos nossos amigos newtonianos, em ambientes, por assim dizer, acadêmicos.

Após tal prólogo de meta-escrita, e sem mais delongas, ponho em cheque, à luz do abajur da lógica, a teoria do Movimento Circular Uniforme. Antes, contudo, é necessário explicitar o que seria o MCU.

Dizemos que uma partícula está em movimento circular quando sua trajetória é uma circunferência como, por exemplo, a trajetória descrita por uma válvula do pneu de uma bicicleta em movimento igual a da imagem. Se, além disso, o valor da velocidade permanecer constante, o movimento é denominado circular uniforme. Então, neste movimento, o vetor velocidade tem módulo constante, mas a direção deste vetor varia continuamente.

Após vermos tal definição, é possível inferirmos uma hipótese: “Seria possível, em uma situação hipotética, a partícula flutuar espontaneamente?” Se for lançada à esmo, de fato, parece absurda e banal, entretanto mostrar-vos-ei, em argumentação lógica, como seria possível tal façanha da natureza.

É fato, que tem-se como unanimidade no meio científico a ação de duas forças em um corpo estagnado: a Normal e a Gravidade. Aquela define-se como uma força que "surge" quando apoiamos qualquer corpo sobre alguma superfície. O nome dela é normal pois ela sempre aparece formando um ângulo de 90° com a superfície a qual o corpo está sendo apoiado. É fácil identificá-la, sempre que o corpo estiver apoiado sobre algo, existirá a força normal ( N ). Tal força tem como mister, a neutralização do corpo com a Gravidade. Esta, em termos newtonianos, é a força que, grosseiramente falando, nos mantém no chão, exercendo uma atração com o solo (Terra). Contudo, em se falando de MCU, temos algumas forças agindo além dessas, são Força Centrípeta e a Centrífuga, reter-me-ei na primeira, pois reza a ignorância matemática, que a segunda não existe.

Tomemos em conta uma situação: Davi, o israelita, ao rodar a sua funda, mirando à cabeça do filisteu Golias, na era Antiga, praticou o que chamamos de Movimento Circular. Distorçamos, pois, o conto, e coloquemos a funda de Davi, como se fosse um círculo onde sua pedra, que colocaremos como perfeitamente redonda, rolava. Depois de atingir o momento de equilíbrio vetorial, onde sua velocidade passa a ser constante, surge a questão novamente: “Agora a bolinha vai voar ou não vai?!” Acalmem-se, meus caros, chegaremos lá. Voltando ao equilíbrio (ambiguamente falando), tomemos em conta os pontos cardeais da circunferência, em cada um deles, por mais ínfimo que seja, há um ponto onde a circunferência passa a ser uma reta, quando converge para o outro lado, ai se esconde, o “repléplé” da parada. Contemplem o ponto Sul (S) da circunferência, veja que em tal ponto, a Normalidade anula o poder da Gravidade, enquanto a bola encontra-se no círculo, oras, temos uma força sobrando ainda, e apontando para o centro da circunferência, a dita cuja, Centrípeta!! Vislumbrem, ó incrédulos, que em determinado tempo da circunferência, a bola VOA!!! Se eu tivesse um teor hermeto-espistemológico de Física Quântica, poderia supor uma situação onde o círculo, ao ”sentir” a bola chegando ao ponto de convergência (S), se abrisse, e continuasse reto, onde, poderíamos em um replay em câmera lenta e invertida, daquelas que o Galvão Bueno adora falar sobre, admirar essa beleza da Natureza. Poderia eu, sugerir outra situação, onde o círculo ficaria em posição perpendicular ao solo, mas essa é muita coisa pra minha cabecinha. Por enquanto, contento com isso, e assim despeço-me de vós, caros leitores, mandando, com essa teoria, um beijo à Xuxa e nossos amigos físico-newtonianos.

Referências Bibliográficas:

EINSTEIN, Albert. Anotações científicas na aurora de uma madrugada mal dormida. 2ed. Birigui: Falácias, 30 de fev. de 1947.

quarta-feira, abril 20, 2005

A Segunda Revolução Sexual - a bissexualidade feminina

Por meio de uma intensa pesquisa no campo das artes, dos meios de comunicação e na própria vivência cotidiana, foi possível a mim chegar a uma conclusão, digamos, estarrecedora a respeito do futuro da sexualidade feminina. Entretanto, antes de apresentá-la, é conveniente fazer uma breve explanação sobre um aspecto da sociedade atual, de extrema relevância para o desenvolvimento da minha linha de pensamento.

É de comum acordo entre sociólogos, filósofos, psicólogos e apresentadores de televisão que na virada do século um novo tipo de homem surgiu em oposição ao homem tradicional – ligado à ideologia machista. Esse novo homem ficou conhecido como metrossexual (de metro = cidade), caracterizado entre outras coisas por sua proximidade à personalidade feminina, sem possuir, a princípio, qualquer tendência à homossexualidade. O metrossexual realiza tarefas que, tradicionalmente, são de competência do gênero feminino como a lavagem de roupas e o ato de cozinhar. Aplicando-se a teoria da evolução das espécies proposta por Charles Darwin a esse novo homem, poderíamos dizer que dentro de algumas décadas, é provável que só existam na face da Terra metrossexuais, devido à adaptação mais fácil desse novo tipo de homem a uma sociedade em que predominam as famílias de uma pessoa só e em que as mulheres seguem conquistando a igualdade de direitos.

Deste pequeno comentário, é possível perceber que daqui a alguns anos a sociedade passará por mudanças tão drásticas como as que ocorreram por ocasião da revolução sexual dos anos 60. E engana-se quem pensa que só os homens é que se sujeitaram a essas mudanças. A revolução que ocorrerá na sexualidade feminina será muito mais impactante e singularmente importante para o destino da humanidade.

Durante alguns meses, por meio de uma apuração informal e simples observação, pude perceber que nos grandes centros – leia-se capitais – o beijo na boca entre mulheres, conhecido vulgarmente como “selinho”, se tornou algo tão corriqueiro que já não causa espanto nem à mais fervorosa católica dessas cidades. Apesar de tratado por alguns como uma simples moda, enxergo nesse tipo de contato entre mulheres o início de um processo que se encaminhará para a plenitude do relacionamento afetivo-sexual entre seres do sexo feminino. Creio que o sagaz leitor, ao ler isso, tenha se perguntado: “Mas isso já não acontece com as lésbicas?”. A esse questionamento respondo “sim”. No entanto, minha tese não trata de um desvio psicológico anormal como o é o lesbianismo. Quando enuncio que as mulheres, num futuro próximo, relacionar-se-ão sexualmente entre si mesmas, quero dizer que tratar-se-á de um comportamento natural, fruto de uma revolução social no âmbito da sexualidade, iniciada em nossos tempos.

Partindo do pressuposto de que toda revolução de caráter comportamental tenha sua origem e desenvolvimento preliminar nos grandes centros urbanos e depois vá se espalhando na direção do interior, não é de se admirar que tais procedimentos (beijos entre mulheres) não ocorram com freqüência em médias e pequenas cidades.

Dito isto, desde já afirmo que minhas idéias serão acusadas de serem infundadas, amorais e esdrúxulas. Essas acusações virão na sua maioria de interioranos, cuja mente ainda não está preparada para aceitar esses fatos. Creio, entretanto, que nas capitais encontrarei boa aceitação.

Feitas essas considerações, prossigo com o desenvolvimento de minhas idéias a respeito do modo como dar-se-á a evolução da sexualidade feminina. Como já disse, o beijo entre mulheres se tornará algo normal não só para os seres das grandes cidades, mas para toda a humanidade. Esses acontecimentos serviriam de base para a aceitação da grande revolução.

Como todos sabem, a mulher vem gradativamente ocupando lugares nas empresas que, até algumas décadas, eram privilégios dos homens, como as chefias, diretorias e gerências. Fazendo-se uma rápida reflexão a respeito desse fato, percebe-se que houve uma inversão de posições na sociedade envolvendo homens e mulheres que será decisiva para o desenvolvimento do que eu chamo de 2ª. Revolução Sexual. A mulher que, até então, era educada para casar-se com um homem rico, vai deparar-se com a possibilidade de ela mesma tornar-se rica, por meio do trabalho, sem depender do sexo masculino. Outro ponto pacífico entre psicólogos, antropólogos e outros é que o desejo sexual feminino está intimamente ligado à imagem do homem caçador, do que traz comida para a caverna, herdada da era pré-histórica. Quando a mulher passa a ver o homem como simples concorrente ao mercado de trabalho, forma-se um vazio, creio eu em seu “instinto” sexual. Dessa forma, não seria bobagem pensar que para suprir esse vazio, as mulheres busquem outras formas de satisfazer sexual e afetivamente. Essas outras formas de satisfação só podem ir de encontro a um único objeto: o próprio gênero feminino. Os relacionamentos produzidos a partir dessa premissa seriam muito mais facilitados do que se os envolvidos fossem do gênero masculino, já que mulheres elogiam-se, trocam beijos no rosto, fazem carícias umas nas outras sem, teoricamente, objetivar um relacionamento entre si.

Outro fator, desta vez intrínseco à personalidade feminina, que facilitará o processo que levará à bissexualidade plena é a curiosidade que todas as mulheres têm de saber como é beijar a boca de outra mulher e se relacionar sexualmente com ela. Evidentemente, se perguntadas se possuem ou não essa curiosidade, as interioranas certamente negarão, porque, volto a dizer, ainda não estão preparadas para a 2ª. Revolução. A revista Playboy de abril de 2005 traz como uma de suas reportagens uma espécie de glossário de termos femininos escrito pela jornalista Ailin Aleixo. Veja o que diz um trecho do item “Lesbianismo”: “... Ao contrário dos meninos que jamais se tocam por medo de serem considerados gays (ou pior, medo de gostar), não temos pudores em demonstrar afeição por uma companheira de sexo e, muitas de nós têm uma imensa vontade de saber como seria dar uns malhos em outra fêmea da mesma espécie. Não é só para você (homem) que pele macia, cabelo cheiroso e curvas são atraentes, oras! Na adolescência muitas acabam dando uns beijinhos na melhor amiga e terminam por aí suas experiências eróticas homossexuais. Outras continuam fazendo isso, principalmente quando bêbadas e em público, para atiçar a testosterona alheia”. Mesmo lendo este magnífico texto, muitos céticos poderão negar a validade de artigos veiculados por esta revista, obviamente destinada ao público masculino. Sendo assim, citarei outra fonte, desta feita a Revista MTV reconhecida nacionalmente por suas reportagens de comportamento que vão contra as correntes de pensamento. Também em sua edição de abril de 2005, a revista traz na capa a foto de duas garotas se beijando e a chamada: “Mesmo sexo – menina com menina: modismo ou mudança?” Veja o que diz o trecho inicial da reportagem: “O que você sente ao ver duas mulheres se beijando? Tesão? Curiosidade? Repulsa? Indignação? Pode sentir o que quiser, o que não muda é o fato de que esta é uma cena cada vez mais comum, seja por experiência passageira ou opção sexual definitiva para uma vida inteira. Ninguém está redescobrindo a pílula anticoncepcional, mas uma minirrevolução sexual pode estar acontecendo discretamente por aí, em que meninas estão se permitindo experimentar a relação com outras meninas e meninos ainda não sabem bem como reagir diante disso...”.

Os trechos das revistas reproduzidos acima são apenas para mostrar o quão próxima está de acontecer a revolução da sexualidade feminina. É impossível conceber um mundo em que metrossexuais representem o mesmo papel dos atuais homens na vida das mulheres. É provável que ocorra com os homens o mesmo que acontecia com as mulheres nas Roma e Grécia antigas. Naquela época, as relações sexuais que objetivavam o prazer eram somente entre homens. A mulher só se relacionava sexualmente quando o homem tinha o intuito de se reproduzir. Essa talvez seja a caracterização do verdadeiro machismo. Na sociedade pós-revolução que vislumbro, ocorreriam uma inversão de papéis: as mulheres transariam entre si na busca de prazer e renegariam o homem ao simples dever da reprodução. Não é difícil imaginar que os homens aceitem essa situação passivamente, tamanha a força da personalidade feminina arcaica que se apoderará deles. Repito: a nova sociedade só terá metrossexuais.

De todo o pensamento tramado conclui-se, portanto, que a sociedade atual se encaminha para o primeiro estágio da 2ª. Revolução Sexual, com a conversão do homem para o modelo metrossexual. Em vista disso, a mulher buscará preencher um vazio afetivo-sexual com relacionamentos homossexuais. No entanto, a sexualidade da mulher, completamente ligada ao instinto materno, não permitirá que ela se desligue completamente do gênero masculino, único meio de reprodução. Em suma: no futuro, todas as mulheres serão bissexuais.


Referências bibliográficas:

ALEIXO, Ailin. Mulher (esse ser estranho) de A a Z. Playboy, São Paulo, ano 30, no. 357, abr. 2005. p. 88 – 95.
IVANOV, Ricardo. Mesmo sexo. Revista MTV, São Paulo, ano 5, no. 47, abr. 2005, p. 44 – 49.